História

Vida por Vida-Ideal bendito

Que guardamos na nossa alma fremente

Fazendo-o ressoar no infinito

Ante o perigo terrível, eminente.

 

A Vida se arrisca num instante

P´ra salvar a do nosso semelhante.

 

Defrontando a violência e o pavor

Das labaredas terríveis, altas, tenebrosas

Nós escrevemos um poema de amor

Salvando com ardor vidas preciosas.

 

Pela Humanidade num rasgo audaz

Somos Soldados da Paz!

 

(Hino dos Bombeiros, letra de Joaquim Alves Machado)

 

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe é uma agremiação mais que centenária (125 anos), com um historial riquíssimo de bem servir o próximo, num hino quotidiano ao espírito prático do associativismo e do voluntariado.
Foi fundada em 19 de Abril de 1890, por uma plêiade de homens para quem o altruísmo se instituía como lema de vida. Dela se destaca o nome honrado do jovem João Crisóstomo, que haveria depois de fundar o jornal O Desforço, desempenhando ainda as funções de vereador da Câmara, até à sua prematura morte, em 26 de Fevereiro de1895, com apenas 32 anos de idade. Crisóstomo foi, além de fundador, o primeiro presidente e primeiro comandante de corporação.
Outros sócios-fundadores dos bombeiros fafenses foram Miguel Gonçalves da Cunha, Júlio de Albuquerque Abranches Lemos e Meneses, Manuel Augusto da Costa Oliveira, José Carlos Peixoto Soares, Adriano Duarte Mendes da Silva, Albino de Oliveira Dias Leite, Francisco Teixeira de Sousa Lobo, Artur Vieira da Silva, José Avelino Peixoto de Magalhães, José Maria Gonçalves, José Ricardo Pereira Leite da Rocha, José Maria de Oliveira Peixoto Júnior e Luís Augusto da Silva Dourado.
Os primeiros Estatutos da então designada Associação de Bombeiros Voluntários, constando de 32 artigos, foram aprovados em 20 de Novembro de 1891 e vigoraram até 1975. Era objectivo da instituição socorrer os habitantes desta vila e freguesias limítrofes, nos casos de incêndio, desabamento ou outra qualquer calamidade pública, para que seja pedido o seu auxílio, sendo o seu fim principal o socorro em caso de incêndio.
Sabemos que no ano de 1891, a corporação recebeu um carro de escadas e ferramentas construído nas oficinas da prestigiada firma de Guilherme Gomes Fernandes & Cª, do Porto. Nos finais do século, e em relação aos uniformes, a corporação, à semelhança de outras pelo país, deixou de usar uniformes confeccionados em tecido castanho, começando o processo de mudança para a cor azul.
Os Bombeiros tinham, desde 31 de Março de 1895, uma banda de música, que era a de Golães, sendo os respectivos maestros Manoel da Silva Maia e Nicolau Antunes Coelho de Barros. A banda permaneceu no âmbito dos Bombeiros até 1944.
A corporação foi crescendo, naturalmente, em número de homens, viaturas e equipamentos, acompanhando as necessidades da comunidade que serve.
Considerada de Utilidade Pública, por decreto de 31 de Dezembro de 1936, a Associação Humanitária foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência, atribuída pelo então Presidente da República, Óscar Carmona.
Recebeu inúmeras medalhas, louvores e distinções de autarquias e colectividades da região e do Norte.
Mais recentemente, por altura do centenário, em 1990, foi agraciada com o título de Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique, além da Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Fafe. Detém ainda o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses. A mesma distinção possui o ex-Presidente da Direcção, Prof. Humberto Freitas Gonçalves, desde 26.03.1994.
De destacar ainda, em termos individuais, a atribuição ao bombeiro Manuel Ferreira, em 1986, do “Prémio João Américo Mouro Justino”, por, indiferente ao frio e à escuridão e com risco da própria vida, ter salvado um homem que se encontrava dentro de um automóvel que se despenhara nas águas caudalosas do Rio Ferro.
Em Abril de 2015, por ocasião da comemoração do seu 125º aniversário, a Humanitária Associação foi agraciada com a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, grau ouro,  entregue pelo então Secretário de Estado da Administração Interna, João Almeida.
 
Instalações
 
As instalações dos bombeiros fafenses foram mudando ao longo dos anos da sua existência. Nos finais do século XIX e princípios do seguinte, os bombeiros ocuparam uma dependência da ala direita da Casa do Santo Novo, hoje Casa Municipal de Cultura, demolida nos anos 70 do século passado para a abertura da Avenida das Forças Armadas.
Mais tarde, e até aos anos 80, dispuseram de um quartel na Rua José Cardoso Vieira de Castro, a dois passos do Hospital. A inauguração do quartel ocorreu em 24 de Abril de 1924 e, dez anos depois, o velho quartel, ainda de rés-do-chão, recebia o primeiro andar e ganhava maior funcionalidade. Em 1957, na presidência de Albino Pereira Fernandes, regista-se nova remodelação do quartel, com a criação da casa do quarteleiro e a ampliação do parque de viaturas.
Desde 1984, a associação ocupa as magníficas instalações que construiu ao cimo da Avenida do Brasil, com o rés-do-chão destinado ao quartel e à vida da corporação e o primeiro andar, além de restaurante e gabinetes da direcção e serviços administrativos, incluiu, durante mais de duas décadas, uma magnífica sala de espectáculos (Estúdio Fénix), por onde passou o grosso da programação cultural que se fez em Fafe até à reabertura do Teatro-Cinema em 2009.
A inauguração festiva do quartel ocorreu no dia 15 de Abril daquele ano de 1984, sendo presidida pelo então Ministro do Trabalho, Amândio de Azevedo. A Câmara entregou, na oportunidade, à associação a Medalha de Prata de Mérito Concelhio.
O novo quartel, baptizado com o nome do Prof. Humberto Freitas Gonçalves, em honra do seu principal obreiro, começou a ser pensado no princípio de 1979. Entre 1981 e 82, desenvolve-se o processo burocrático de aprovação do projecto e celebração do contrato com o empreiteiro. Em 12 de Novembro de 1983, os bombeiros mudam definitivamente de instalações para o seu novo quartel, orçado em cerca de 30 000 contos, com 80% financiados pelo Estado. O velho quartel foi alienado à EDP, para instalação dos seus serviços.
Entretanto, em 2012 e 2013 o quartel sofreu obras profundas de remodelação e requalificação, que ascenderam a 700 mil euros e de que resultou a valorização dos espaços operacionais e administrativos, bem como o redimensionamento do espaço do antigo Estúdio Fénix, para instalação da Escola Bailado de Fafe.
Na inauguração, ocorrida em 23 de Junho de 2013, esteve presente o Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna, Fernando Alexandre.
Actualmente, a Associação Humanitária dos voluntários fafenses dispõe de menos de uma centena de bombeiros (já teve mais de 120…) e um parque automóvel de 38 viaturas, sendo 15 da área da saúde, 16 de combate a incêndios e mais 7 de utilizações diversas.
Os associados activos rondam os 2 800.
No capítulo da formação, é ministrada aos Soldados da Paz regularmente instrução nas áreas do combate a incêndios, saúde, socorros a náufragos, mergulho e de comando.
Desde 1980, a instituição dispõe de uma fanfarra, que já teve 45 elementos. Foi fundada para abrilhantar as comemorações do 90º aniversário da associação e a partir dessa altura esteve presente em diversos desfiles pelo país. Desde 2010, organizou três desfiles de fanfarras na cidade, com a participação de fanfarras do distrito de Braga e de outros distritos.
Em 1985, foi formada, no âmbito dos Bombeiros Voluntários de Fafe, a Banda Plástica “Faz de Conta”, divertida e de grande animação nos locais onde se exibe.
No ano de 2004, surgiu o grupo musical que, na altura, foi designado “Pau e Lata, Lda.” E que depois tomaria a designação de “Grupo de Cavaquinhos dos Bombeiros Voluntários de Fafe”, que em 2007, com o apoio da Junta de Freguesia de Fafe, lançou o seu primeiro CD.
A vida da instituição está historiada numa monografia de A. Lopes de Oliveira, intitulada Bombeiros Voluntários de Fafe (1984), estando em preparação uma nova obra historiográfica sobre a vida da humanitária associação, da autoria do vice-presidente Artur Ferreira Coimbra, a ser publicada nos primeiros meses de 2017.
 
 
 
ALGUNS PRESIDENTES DA A.H.B.V.F.
 
João Crisóstomo (1890, 1º presidente)
Dr. Abel Vieira Campos de Carvalho (1894)
Miguel Gonçalves da Cunha (1900 e 1901)
Dr. José Leite Saldanha de Castro (1902)
Luís Augusto da Silva Dourado (1908)
Dr. João Leite de Castro (1910)
António Summavielle (1911)
Dr. José Malheiro Cardoso da Silva (1913)
Dr. Leopoldo Martins de Freitas (1914)
Dr. Florêncio Vieira de Castro (1921)
Dr. Adriano Vieira Campos de Carvalho (1926)
Dr. José Maria de Campos Soares (1932)
Tenente Gervásio Campos de Carvalho (1934-36)
Albano Pires de Sousa Alves (1937)
Dr. José de Barros e Vasconcelos (1938-43)
Dr. Alexandre de Freitas Ribeiro (1944-45)
Albino Pereira Fernandes (1953-55 e 1973)
Álvaro Mendes Leite de Castro (1956-1959)
Prof. Humberto Freitas Gonçalves (1974-1997)
Prof. José Manuel Gonçalves Domingues (1997-2009)
Dr. João Pedro Leite Castro Frazão (2009-)
 
 
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